A Oficina Zero promove a cada edição residências artísticas que resultam na criação de uma obra original apresentada no final do programa. Os artistas são convidados para uma co-criação ou double bill- com duração total de 60-80 minutos, interpretada pelos 28 participantes do programa que acompanham todo o processo de criação em residência. As criações têm como ponto de partida o grupo de intérpretes, o mote lançado pela direção artística da Oficina Zero e interesses artísticos dos criadores refletindo em como mantêm a sua honestidade artística num processo criativo curto e que leva a um resultado final de nível profissional com o objetivo de, durante 10 dias, fazer cerca de 4 sessões de apresentação entre Junho e Julho.
Coreografias de Daniela Cruz e Joclécio Azevedo Com Oficina Zero
PULSAR, de Daniela Cruz
Num mundo que pulsa em excesso, onde tudo se move sem travões, tentamos encontrar sentido enquanto dançamos ao ritmo de uma música que ainda não sabemos ouvir. Entre a vertigem do presente e a promessa adiada do futuro, apercebemo-nos que o previsível não é tão seguro quanto aparenta ser, e, que é no dia a dia que as possibilidades ganham pulso e são capazes de transformar tudo. Pulsar é uma reflexão sobre velocidade, ansiedade e vontade, sobre o medo de ficar para trás e a coragem de escutar o próprio ritmo num mundo que raramente abranda.
ISTO NÃO SÃO COREOGRAFIAS, de Joclécio Azevedo
Este trabalho desenvolve-se a partir do laboratório “O que persiste e o que se dissolve no processo coreográfico?”, realizado com a Oficina Zero em 2025. Consiste num inventário vivo de peças curtas que podem surgir a solo ou em conjunto, em sequência ou em sobreposição, como páginas soltas ou fragmentos editados pelos performers. Um gesto nunca passa simplesmente de um corpo para outro mantendo a sua forma inicial. Um gesto é algo que ressoa e transforma-se ao atravessar outras superfícies, corpos, espaços e olhares. O que persiste não é uma forma original, mas a capacidade de ecoar; o que se dissolve é a ilusão de que um gesto ou uma ação permanecem idênticos a si mesmos quando entram no espaço comum. Ao longo da duração desta peça o grupo sustenta formas precárias de organização coletiva, produzindo uma rede instável de corpos que se ajustam ou se desorganizam como câmaras de ressonância. A coreografia, nesta peça, existe porque pode passar de corpo em corpo, configurando-se a partir das suas condições de circulação, ativação e redistribuição.
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